Carine da Silva Oliveira Lima*
Os textos analisados são resultados de pesquisas que buscam definir a concepção de “adolescência” dentro de varias abordagens; da visão de psicólogos de áreas diferentes (Saúde, Educação, Jurídica e Orientação profissional).
Até o século XX a concepção que a Psicologia tinha sobre o adolescente era pautada numa abordagem meramente psicanalítica, onde o individuo perdia a bissexualidade infantil , a linguagem própria da infância e a dependência infantil que mantinha com os adultos.
Em meados do século, na América do Sul marcava-se uma visão que constituiu uma concepção naturalista e universal do adolescente, assimilada pelo homem comum, pelos meios de comunicação de massa, pela cultura ocidental e reafirmada pela Psicologia tradicional. Onde diz que nessa fase o adolescente possui uma mentalidade própria com um psiquismo característico dessa fase, que possui venerabilidade especial para assimilar os impactos projetados pelos pais, irmão, amigos e sociedade em geral.
Discute-se se o processo adolescente é universal, pois, faz ressalva ao considerar que a crise de identidade tem sentido apenas nos jovens de classes sociais mais privilegiadas. Destaca como marca a rebeldia. Dessa maneira, reafirma que a questão de “síndrome natural” e da universalidade na concepção de adolescente.
Dentro da visão liberal de homem, é considerada a natureza humana, a sociedade como algo externo no qual este homem é livre podendo ser contrários às tendências naturais um ser privado, verdadeiro no seu Eu, podendo assim manter uma relação com o exterior, que estimule ou não seu desenvolvimento.
Nesta visão a pratica psicológica é centrada na idéia de doença e de cura, visto que visa a correção, o tratamento de distúrbios, usando técnicas adaptativas que permitem ao ser comporta-se no mundo social de forma adaptada, atendendo a visões morais e medicas da saúde.
Entende-se que é preciso abandonar as visões neutralizastes que geram propostas de trabalho, como imutável e que não vêem nas questões da Psicologia, determinações que são sociais.
A visão sócio-histórica concebe o homem como um ser histórico constituído no seu movimento, ao longo do tempo e pelas relações sociais e culturais engendradas pela humanidade.
Nesta visão não há uma adolescência natural. Esta é constituída pelos homens em suas relações. A adolescência deixa de ser analisada como algo abstrato, para ser vista como uma etapa que se desenvolve na sociedade.
Passa-se a se compreender que as formas que assumem como identidades, personalidades e subjetividade são constituídas historicamente. Deixam de ser tão moralistas, ou prescritivos de uma suposta normalidade. Os modelos de normalidade e de saúde precisam ser considerados historicamente.
A cultura aparece como molde da expressão de uma adolescência natural, que sofre a pressão da sociedade que dificulta o ingresso do jovem no mercado de trabalho, expondo assim, ao que é natural, uma fase moratória, de espera questionadora, onde o adolescente não se conforma em ser mero espectador e busca formas de interação e transformar o contexto social, daí, a rebeldia e os conflitos.
““ Para Calligaris a adolescência é uma fase que se instituiu na nossa cultura e se tornou problemática pela falta de uma definição social clara das competências adultas e, consequentemente, das competências dos adolescentes “” (Calligaris apud Sergio Ozolla)
A adolescência não existiu sempre, constituiu-se na história a partir de necessidades sociais e todas as características se dão a partir das condições históricas do mundo adulto.
Compreender a condição da identidade do sujeito como um processo continuo dentro de um grupo social produtivo, criativo, deve ser como é (natural), assim será constituída e construída a forma do projeto de vida dessa adolescência.
A concepção de individuo/adolescente não pode ser apenas um conjunto de estratégias e atividades, a reflexão sobre os fundamentos e pressupostos teóricos que orientam a pratica, indicando assim a ética que ai está contida, norteando a subjetivação e objetivação do individuo para a promoção de saúde vincula o profissional ao histórico-social.
Um sujeito ao mesmo tempo único, singular/histórico e social. Os adolescentes não se vêem como atuante em suas próprias vidas. Eles seguem uma tendência, reafirmando o modelo já existente de emprego e família. Não almejam emprego apenas como fonte de remuneração, mas também como fonte de vínculos com a sociedade, status, prestigio e estabilidade.
Quando o almejado não é alcançado o adolescente sente-se fracassado, esquecendo-se de que vários são os fatores que determinam o insucesso (questões familiares, falta de políticas públicas destinadas à juventude, intolerância por falta de maturidade, a forma como os profissionais da área de Psicologia vêem os mesmos, etc.).
Conclui-se que é necessária uma maior reflexão sobre o tema em questão, isso é, adolescência para os profissionais em Psicologia e suas práticas, principalmente dentro da abordagem sócio-histórica.O mesmo deve ocorrer com as Políticas Públicas e temas curriculares que dêem embasamento aos novos profissionais e aos jovens que entram neste universo.
* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco
REFERENCIAS:
BOCK, Ana; GONÇALVES, Maria; FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. -3. Ed. - São Paulo: Cortez, 2007.
OZELLA, Sérgio (org.). Adolescências construídas: a visão da psicologia sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2003.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
A redução Fenomenologica
A fenomenologia originou-se das pesquisas de Edmund Husserl, para quem os fenômenos psíquicos distinguiam-se dos físicos pela sua intencionalidade, por visarem a um objeto, por serem percebidos e pelo modo de percepção que deles se têm constituir o seu conhecimento fundamental. As experiências, as vivências, não devem constituir simples momentos na vida de um sujeito: precisam ser por ele apreendidas, adquirir uma significação, ter seu sentido revelado. Tal revelação se alcança pela aplicação do método fenomenológico, que consiste em ir às coisas mesmas, aos fenômenos, ao que aparece à consciência, que se manifesta em si mesmo, que se dá como objeto intencional. A fenomenologia não efetua um investigar com problemas e hipóteses, definição de variáveis, teorias explicativas, manipulações e medidas, tratamento estatístico, em uma desconexão do método científico positivista. O método fenomenológico questiona o conhecimento, coloca entre parênteses crenças e proposições sobre o mundo natural, operação conhecida como epoché. A redução fenomenológica ou epoché suspende,coloca fora de ação todas as afirmações espontâneas nas quais a pessoa vive, para compreendê-las. O ato mental se descreve livre de teorias e pressuposições. Pela redução, o fenômeno se apresenta puro, livre dos elementos pessoais e culturais, chega-se ao nível de sua essência, o conteúdo ideal e inteligível dos fenômenos. Todo objeto percebido tem a sua essência, que é o ser da coisa, isto é, um puro possível, um objeto ideal.
A percepção é o ponto de partida para se alcançar uma essência. Esta não varia com as alterações de um objeto ou com seu desaparecimento, esclarece os fatos conhecidos ao ser confrontada com eles e identifica um fenômeno, em qualquer circunstância de sua realização e da experiência sensorial efetiva, por ser sempre idêntica a si própria. Os fenômenos se dão a nós por intermédio dos sentidos,eles se dão sempre como dotados de uma essência.
Atingir essências universais e válidas para todos os sujeitos permite à fenomenologia estabelecer um conhecimento intersubjetivo e ao mesmo tempo verdadeiramente objetivo, válido para todos, pela redução fenomenológica, pela qual se distingue o eu que vivencia, a sua vivência e o mundo que influencia o eu e a vivência. A redução permite chegar à essência do fenômeno como um dado, essência que é universal. Portanto, a fenomenologia estuda o universal, o que é válido para todos os sujeitos. O que uma pessoa vivencia, o que conhece, é vivência para todos, por sua redução a uma pureza íntima, a uma realidade absoluta.
A percepção é o ponto de partida para se alcançar uma essência. Esta não varia com as alterações de um objeto ou com seu desaparecimento, esclarece os fatos conhecidos ao ser confrontada com eles e identifica um fenômeno, em qualquer circunstância de sua realização e da experiência sensorial efetiva, por ser sempre idêntica a si própria. Os fenômenos se dão a nós por intermédio dos sentidos,eles se dão sempre como dotados de uma essência.
Atingir essências universais e válidas para todos os sujeitos permite à fenomenologia estabelecer um conhecimento intersubjetivo e ao mesmo tempo verdadeiramente objetivo, válido para todos, pela redução fenomenológica, pela qual se distingue o eu que vivencia, a sua vivência e o mundo que influencia o eu e a vivência. A redução permite chegar à essência do fenômeno como um dado, essência que é universal. Portanto, a fenomenologia estuda o universal, o que é válido para todos os sujeitos. O que uma pessoa vivencia, o que conhece, é vivência para todos, por sua redução a uma pureza íntima, a uma realidade absoluta.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Estágios de Jean Piaget
Piaget estava interessado em como é que um organismo se adapta ao seu ambiente (ele descreveu esta capacidade como inteligência) Onde o comportamento é controlado através de organizações mentais denominadas “esquemas”, que o indivíduo utiliza para representar o mundo e para designar as ações.Essa adaptação é guiada por uma orientação biológica para obter o balanço entre esses esquemas e o ambiente em que está. (equilibração). Assim, estabelecer um desiquilíbrio é a motivação primária para alterar as estruturas mentais do indivíduo.
Piaget descreveu 2 processos utilizados pelo sujeito na sua tentativa de adaptação: assimilação e acomodação.
Assimilação: É o moldar das novas informações para encaixar nos esquemas existentes.
Acomodação: São as mudança nos esquemas existentes pela alteração de antigas formas de pensar ou agir.
OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO:
Estádio sensório-motor ( do nascimento aos 2/3 anos) - a criança desenvolve um conjunto de "esquemas de ação" sobre o objeto, que lhe permitem construir um conhecimento físico da realidade. Nesta etapa desenvolve o conceito de permanência do objeto, constrói esquemas sensório-motores e é capaz de fazer imitações, construindo representações mentais cada vez mais complexas
Estádio pré-operatório (ou intuitivo) (dos 2/3 aos 6/7 anos) - a criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada idade dos porquês e do faz-de-conta.
Estádio operatório-concreto (dos 6/7 aos 10/11 anos) - a criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações.
Estádio operatório-formal (dos 10/11 aos 15/16 anos) - fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato, conceptual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente.
Piaget descreveu 2 processos utilizados pelo sujeito na sua tentativa de adaptação: assimilação e acomodação.
Assimilação: É o moldar das novas informações para encaixar nos esquemas existentes.
Acomodação: São as mudança nos esquemas existentes pela alteração de antigas formas de pensar ou agir.
OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO:
Estádio sensório-motor ( do nascimento aos 2/3 anos) - a criança desenvolve um conjunto de "esquemas de ação" sobre o objeto, que lhe permitem construir um conhecimento físico da realidade. Nesta etapa desenvolve o conceito de permanência do objeto, constrói esquemas sensório-motores e é capaz de fazer imitações, construindo representações mentais cada vez mais complexas
Estádio pré-operatório (ou intuitivo) (dos 2/3 aos 6/7 anos) - a criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada idade dos porquês e do faz-de-conta.
Estádio operatório-concreto (dos 6/7 aos 10/11 anos) - a criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações.
Estádio operatório-formal (dos 10/11 aos 15/16 anos) - fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato, conceptual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente.
domingo, 21 de setembro de 2008
O Isso, Super-eu e Eu
"A Psicanálise propõe mostrar que o Eu não somente não é senhor na sua própria casa, mas também está reduzido a contentar-se com informações raras e fragmentadas daquilo que se passa fora da consciência, no restante da vida psíquica... A divisão do psíquico num psíquico consciente e num psíquico inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise, sem a qual ela seria incapaz de compreender os processos patológicos, tão freqüentes quanto graves, da vida psíquica e fazê-los entrar no quadro da ciência... A psicanálise se recusa a considerar a consciência como constituindo a essência da vida psíquica, mas nela vê apenas uma qualidade desta, podendo coexistir com outras qualidades e até mesmo faltar. " (Freud,Cinco ensaios sobre a Psicanálise)
Freud não cessou de reformular a teoria psicanalítica, abandonando alguns conceitos, criando outros, abandonando algumas técnicas terapêuticas e criando outras. Para ele a vida psíquica é constituída por três instâncias, duas delas inconscientes e apenas uma consciente: o id, o superego e o ego (ou o isso, o super-eu e o eu). Os dois primeiros são inconscientes; o terceiro, consciente.O id é formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes, ou seja, pelo que Freud designa como pulsões. Estas são regidas pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata. O id é a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer. É a libido.O superego, também inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id.O ego ou o eu é a consciência, pequena parte da vida psíquica, submetida aos desejos do id e à repressão do superego. Obedece ao princípio da realidade...
Freud não cessou de reformular a teoria psicanalítica, abandonando alguns conceitos, criando outros, abandonando algumas técnicas terapêuticas e criando outras. Para ele a vida psíquica é constituída por três instâncias, duas delas inconscientes e apenas uma consciente: o id, o superego e o ego (ou o isso, o super-eu e o eu). Os dois primeiros são inconscientes; o terceiro, consciente.O id é formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes, ou seja, pelo que Freud designa como pulsões. Estas são regidas pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata. O id é a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer. É a libido.O superego, também inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id.O ego ou o eu é a consciência, pequena parte da vida psíquica, submetida aos desejos do id e à repressão do superego. Obedece ao princípio da realidade...
sábado, 20 de setembro de 2008
Bem Vindos e Fim de Etapa
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é".
(Paulo Coelho)
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é".
(Paulo Coelho)
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