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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A concepção de adolescência em uma abordagem sócio-historica

Carine da Silva Oliveira Lima*

Os textos analisados são resultados de pesquisas que buscam definir a concepção de “adolescência” dentro de varias abordagens; da visão de psicólogos de áreas diferentes (Saúde, Educação, Jurídica e Orientação profissional).
Até o século XX a concepção que a Psicologia tinha sobre o adolescente era pautada numa abordagem meramente psicanalítica, onde o individuo perdia a bissexualidade infantil , a linguagem própria da infância e a dependência infantil que mantinha com os adultos.
Em meados do século, na América do Sul marcava-se uma visão que constituiu uma concepção naturalista e universal do adolescente, assimilada pelo homem comum, pelos meios de comunicação de massa, pela cultura ocidental e reafirmada pela Psicologia tradicional. Onde diz que nessa fase o adolescente possui uma mentalidade própria com um psiquismo característico dessa fase, que possui venerabilidade especial para assimilar os impactos projetados pelos pais, irmão, amigos e sociedade em geral.
Discute-se se o processo adolescente é universal, pois, faz ressalva ao considerar que a crise de identidade tem sentido apenas nos jovens de classes sociais mais privilegiadas. Destaca como marca a rebeldia. Dessa maneira, reafirma que a questão de “síndrome natural” e da universalidade na concepção de adolescente.
Dentro da visão liberal de homem, é considerada a natureza humana, a sociedade como algo externo no qual este homem é livre podendo ser contrários às tendências naturais um ser privado, verdadeiro no seu Eu, podendo assim manter uma relação com o exterior, que estimule ou não seu desenvolvimento.
Nesta visão a pratica psicológica é centrada na idéia de doença e de cura, visto que visa a correção, o tratamento de distúrbios, usando técnicas adaptativas que permitem ao ser comporta-se no mundo social de forma adaptada, atendendo a visões morais e medicas da saúde.
Entende-se que é preciso abandonar as visões neutralizastes que geram propostas de trabalho, como imutável e que não vêem nas questões da Psicologia, determinações que são sociais.
A visão sócio-histórica concebe o homem como um ser histórico constituído no seu movimento, ao longo do tempo e pelas relações sociais e culturais engendradas pela humanidade.

Nesta visão não há uma adolescência natural. Esta é constituída pelos homens em suas relações. A adolescência deixa de ser analisada como algo abstrato, para ser vista como uma etapa que se desenvolve na sociedade.
Passa-se a se compreender que as formas que assumem como identidades, personalidades e subjetividade são constituídas historicamente. Deixam de ser tão moralistas, ou prescritivos de uma suposta normalidade. Os modelos de normalidade e de saúde precisam ser considerados historicamente.
A cultura aparece como molde da expressão de uma adolescência natural, que sofre a pressão da sociedade que dificulta o ingresso do jovem no mercado de trabalho, expondo assim, ao que é natural, uma fase moratória, de espera questionadora, onde o adolescente não se conforma em ser mero espectador e busca formas de interação e transformar o contexto social, daí, a rebeldia e os conflitos.
““ Para Calligaris a adolescência é uma fase que se instituiu na nossa cultura e se tornou problemática pela falta de uma definição social clara das competências adultas e, consequentemente, das competências dos adolescentes “” (Calligaris apud Sergio Ozolla)
A adolescência não existiu sempre, constituiu-se na história a partir de necessidades sociais e todas as características se dão a partir das condições históricas do mundo adulto.
Compreender a condição da identidade do sujeito como um processo continuo dentro de um grupo social produtivo, criativo, deve ser como é (natural), assim será constituída e construída a forma do projeto de vida dessa adolescência.
A concepção de individuo/adolescente não pode ser apenas um conjunto de estratégias e atividades, a reflexão sobre os fundamentos e pressupostos teóricos que orientam a pratica, indicando assim a ética que ai está contida, norteando a subjetivação e objetivação do individuo para a promoção de saúde vincula o profissional ao histórico-social.
Um sujeito ao mesmo tempo único, singular/histórico e social. Os adolescentes não se vêem como atuante em suas próprias vidas. Eles seguem uma tendência, reafirmando o modelo já existente de emprego e família. Não almejam emprego apenas como fonte de remuneração, mas também como fonte de vínculos com a sociedade, status, prestigio e estabilidade.
Quando o almejado não é alcançado o adolescente sente-se fracassado, esquecendo-se de que vários são os fatores que determinam o insucesso (questões familiares, falta de políticas públicas destinadas à juventude, intolerância por falta de maturidade, a forma como os profissionais da área de Psicologia vêem os mesmos, etc.).

Conclui-se que é necessária uma maior reflexão sobre o tema em questão, isso é, adolescência para os profissionais em Psicologia e suas práticas, principalmente dentro da abordagem sócio-histórica.O mesmo deve ocorrer com as Políticas Públicas e temas curriculares que dêem embasamento aos novos profissionais e aos jovens que entram neste universo.

* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco


REFERENCIAS:

BOCK, Ana; GONÇALVES, Maria; FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. -3. Ed. - São Paulo: Cortez, 2007.

OZELLA, Sérgio (org.). Adolescências construídas: a visão da psicologia sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2003.

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