Carine da Silva Oliveira Lima*
O processo de aprendizagem pode ser definido como o modo com que os seres adquirem conhecimentos; muda o comportamento e desenvolvem competências. Trata-se de um fenômeno extremamente complexo, discutido a partir de várias perspectivas.
Ao tratar-se da aprendizagem animal, afirma-se que esse processo se da de forma associativa, através de condicionamento e em alterações adaptativas. O animal aprende (de forma, estimulo–resposta) que algumas respostas obtêm melhores resultados que outras e isso leva a repeti-las sistematicamente, modificando o comportamento. As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos.
Tratando-se de aprendizagem especificamente humana, há várias perspectivas, entre elas, algumas compartilhada com a aprendizagem animal, é o caso na perspectiva comportamental, onde o processo de aprendizagem se dá pelo condicionamento, baseado na relação estímulo-resposta, essa é a forma mais simples de aprendizagem.
O ato ou vontade de aprender é uma característica própria do psiquismo humano, pois somente este possui a intenção de aprender. É assim, descrita a perspectiva cognitivista, onde as formas de aprendizagem são mais complexa e exclusivamente humanas. A partir desse ponto de vista há vários outros processos que auxiliam na aprendizagem.
O sujeito, desde seu nascimento vai ampliando seu repertório e construindo conceitos e categorias a partir de suas experiências, esse repertório, é possível graças à memória. A memória de curto prazo é reversível e temporária, serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente, assim não têm grandes influências no processo de aprendizagem. A memória de trabalho é a interconexão entre a percepção da realidade pelos sentidos e a formação ou evocação de memórias, a memória de trabalho ou memória operacional, está em relação com o processo de aprendizagem. A memória de longo prazo, ou memória permanente, como o nome já diz, mantém as lembranças de eventos por muito tempo, estas lembranças podem ser tituladas de ocorrência aprendidas.
No âmbito cognitivo, é crescente o estudo sobre a aprendizagem implícita e a aprendizagem explícita. Avaliando que alguns acontecimentos e/ou aspectos são aprendidos e quando questionado a forma e o que foi instituído não se sabe objetar. Reber, em sua tese de doutorado, nomeou esse processo de aprendizagem implícita, onde as pessoas costumam “saber mais do que informam”. Como fala J. I. Pozo, a aprendizagem implícita, mostra que as pessoas podem adquirir representações e regras sobre as quais não podem corroborar ou, das quais não possuem consciência. (p. 25) Esse processo de aprendizagem está vinculado à estrutura mais antiga e primitiva, independendo da idade e cultura, assim tornando-se mais duradouro e econômico no ponto de vista energético.
A aprendizagem explícita, ou conhecimento propriamente dito, é aquela sobre a qual se pode informar o processo e o que aprendeu. “Acredita-se, como se observava anteriormente, que a aprendizagem explícita seja apenas aprendizagem implícita com consciência” (J.I.Pozo, p. 30). Esse processo é mais recente na evolução, e é exclusivamente humano, gera maiores gastos energéticos, é capaz de gerar novos produtos e estratégias e possui menos durabilidade que a aprendizagem implícita.
Vygotsky estudou muito o processo de aquisição de conhecimento, ele criou o conceito da zona de desenvolvimento proximal, onde as tarefas que o sujeito não consegue realizar sozinho, vão sendo aprendidas com o passar do tempo quando desenvolvidas com alguém que já possua essa capacidade, assim o sujeito pode adquirir muitas habilidades.
Há vários aspectos que influenciam no processo da aprendizagem. O interesse pelo assunto que está sendo visto, gera uma maior probabilidade de aquisição do conhecimento, também é facilitador nesse processo um conhecimento prévio sobre o assunto, as novas informações podem ser acrescentadas às informações já existentes e reorganizadas, elaborando um novo conhecimento.
Considerando os aspectos acima citados, o processo de aprendizagem se dá de forma continua, implícita e explícita. Sendo que nos seres humanos isto acontece de maneira mais estruturada. É necessária uma integração entre as perspectivas desse processo para que haja uma melhor estruturação do conceito, e assim abrindo um leque para o surgimento de novas perspectivas.
Referencias:
Izquierdo, I. Memória. Porto Alegre, ArtMed Editora AS, 2002.
Leme, M. I. da S. Aquisição de conhecimento. Boletim de Psicologia, v.55 n.123. São Paulo, dez. 2005
POZO, J.I. Aquisição do Conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2004.
* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Oi moça! Muito enriquecedor esse texto, me trouxe à luz que sou um ser de possibilidades. Xero. Anderson Teodoro.
Postar um comentário