Saint-Exupéry, Antoine de. O Pequeno Príncipe: com aquarelas do autor. 48 ed. Rio de Janeiro: Agir, 2002.
O autor do livro O Pequeno Príncipe, o francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) foi aviador e escritor. Como adorava estar no ar, Exupéry viajou por muitos lugares, conheceu diversas pessoas e culturas. Como registro dessas grandes aventuras, o autor escreveu o pequeno príncipe, em que pôde narrar suas experiências e fazer com que as pessoas refletissem sobre suas vivências e principalmente sobre como se relacionavam com outras pessoas. Considerando que em toda obra há uma parte do autor, no pequeno príncipe podemos perceber explicitamente o quanto essa afirmação se comprova.
Levando em conta que o autor do livro seja o próprio narrador da história - personagem: aviador – durante a leitura pôde-se perceber a importância da narrativa para a simbolização da existência. Segundo Benjamin apud Dutra (2002), a narrativa cria sentidos, implica na descrição de experiências, sendo que essa reconstrução da fala produz significados. Rodrigues (2006) alega que o discurso está na palavra, no silêncio, na escuta, na leitura, no sonho, ou seja, em todas as formas de expressão do ser-no-mundo. Ainda pontua que no discurso é que o ser se revela e a hermenêutica possibilita esse desvelamento, a partir da compreensão e interpretação. Por isso, quando o autor descreve os fenômenos presentes na história, deixando a mercê do leitor interpretá-los, possivelmente sua intenção seria causar uma afetação possibilitando ao leitor uma profunda reflexão. Isso é para aqueles que compreendem o livro, pois a compreensão constitui o modo de abertura do ser-no-mundo para o fenômeno, diferente de se entender algo, ou seja, o fato, o palavrório. Segundo Heidegger apud Rodrigues (2006) “a compreensão é existencial (...), a compreensibilidade do ser-no-mundo, trabalhada por uma disposição, se pronuncia como discurso.” (p. 59)
A partir de uma análise crítica do livro sob o viés da fenomenologia, uma das grandes abordagens da psicologia, as relações entre o pequeno príncipe e os personagens serão abordadas cronologicamente, sendo destacados conceitos importantes para a psicologia fenomenológica como a narrativa, cuidado, compreensão, tempo, ser-para-a-morte, abertura, disposição afetiva e angústia.
No início da história o aviador (narrador) relata sobre um episódio da sua infância. Ao desenhar um elefante sendo digerido por uma jibóia pergunta aos adultos o que eles acham que seja a gravura, e todos alegam ser um chapéu. Ele não entendia porque as pessoas grandes não compreendiam nada sozinhas. Por que elas viviam de forma tão superficial? Por que as pessoas grandes valorizam somente as grandes coisas? Isso acontece porque diante da gama de experiências que elas possuem tudo que vêem remetem à algo que já conhecem, não tentam refletir sobre aquilo que é “novo” e não se abrem para as novas possibilidades. Inclusive, assim como a fenomenologia, a gestalt alega que a percepção é construída a partir da experiência.
Ou seja, para aqueles estudantes e profissionais psicólogos, toda demanda que receberem, seja um livro, uma música ou um problema de um cliente, ambos têm que olhar para as coisas para além do que se vê, não podem se ater aos fatos, e sim tentar compreender com o outro o fenômeno de sua experiência, é se abrir para a possibilidade de se deixar afetar. É preciso se atentar para o que se revela (numa narrativa) e o que se oculta, nem tudo que é dito se mostra como realmente é, e todo psicólogo deve se atentar para essa dialética do existir. Segundo Heidegger apud Giordani (1976) através da disposição afetiva vejo não somente o que eu sou mas, o que devo ser; sendo a obrigação vital de realizar-me. Meu ser me é dado como um dever-ser (p. 80). Na composição da banda Los Hermanos essa idéia é explicitada: “É preciso força pra sonhar e perceber, que a estrada vai além do que se vê (...) E que é difícil ser feliz (...) é o amor que ninguém mais vê”.
O aviador ao encontrar o pequeno principe relembra o tempo em que foi desencorajado pelos adultos, e a partir da relação que estabelece com seu novo amigo, volta a desenhar gravuras para ele e para contar sua própria história. Esse fenômeno é a prova de que nunca é tarde para se realizar nossos sonhos. Com o pequeno príncipe ele passa a conhecer as diversas formas de ser-no-mundo, que cada existência tem um sentido, que os questionamentos são importantes (o príncipe nunca renunciva uma pergunta) para se refletir sobre essa existência e que é preciso estar próximo do que/quem se ama, mas sem se apegar. O envolvimento é preciso para se experienciar com o outro e o afastamento é necessário para que ambos aprendam dialogicamente, reflitam, para que não se confundam com a experiencia do outro e que não sejam dependentes.
Esta relação dialógica deve ser trabalhada entre o psicólogo e o cliente, pois nesse envolvimento é necessário que o psicológo tenha uma “reserva”, onde possa garantir certa particularidade, que o encontro não o desestruture, para isso, suas experências devem ser “bem resolvidas”. Essa relação está muito ligada com a definição da redução fenomenológica. Heidegger considera a redução como uma tentativa de se retornar à experiência vivida através de uma profunda reflexão sobre o fenômeno. Para se envolver existencialmente o Ser deve compreender o fenômeno sem julgamentos prévios, ou seja, deve se aproximar do fenômeno e se afastar de suas experiências já vividas, em função da autenticidade. O pequeno príncipe fazia essa redução fenomenológica, apresentava a condição de abertura e procurava compreender os fenômenos sem julgamentos prévios, ao chegar a cada planeta, ele o explorava para depois fazer suas inferências, sempre observando o quê e como as pessoas estavam vivendo o aqui-agora¬ e não porque elas viviam daquela maneira.
Quando o princepezinho conta a história dos baobás, diz que toda planta ruim deve ser tirada imediatamente. Pode-se fazer aqui uma analogia quanto às angustias que chegam até a clínica. As pessoas querem se desfazer de suas angústias o mais rápido possível, e o objetivo do psicólogo é fazer com que essa angústia seja trabalhada. Heidegger dá uma nova conotação para a angústia, alegando que “O ser-para-a-morte é essencialmente angústia”, este ser quando olha para a possibilidade do não-ser, quando este ser se angustia, ele existe autenticamente, pois diante da possibilidade de não existir, o homem valoriza mais a vida, que implica em reconhecer sua própria finitude. Quem não se angustia vive na inautenticidade. Isso também se aplica ao que acontece durante o encontro entre o príncipe e o bêbado, o qual fugia de suas tristezas e angústias bebendo, esse era seu modo de fugir da realidade. O acendedor também possuía uma existência inautêntica, ele seguia um regulamento (acender o lampião) sem ao menos saber o sentido daquilo, o fazia apenas por mando de alguém.
O que mais admirava o pequeno príncipe em seu planeta era a possibilidade de constantemente estar vendo o pôr-do-sol e cuidar de sua rosa. Diante de coisas tão simples, o principezinho construía sua existência por estar aberto e se deixar afetar. A afetação está vinculada com existência autêntica, a partir da vivência dos fenômenos. Trazendo para a Psicologia, a afetação está relacionada tanto com o encontro entre cliente e psicólogo quanto com a compreensão e a realização de uma intervenção mais eficiente e eficaz. A relação que o pequeno príncipe tinha com sua rosa era ímpar, ele se deu conta disso em seu encontro com o geógrafo, quando descobriu que as flores são efêmeras. A transitoriedade da rosa (assim como de todos nós seres-no-mundo) traz uma profunda reflexão sobre a impossibilidade das possibilidades que é morte, Heidegger vem falar que “viver para a morte” constitui o sentido autêntico da existência, como se do nada o homem pudesse tirar forças para viver o tudo, que é a vida, cheia de abertura e possibilidades.
O cuidado com a rosa, em regá-la, protegê-la, faz alusão a forma como o cuidado deve estar inserido na prática psicológica. Neste envolvimento deve haver a sensibilidade para a afetação, para a escuta clínica (ouvir com compreensão), o cuidado e o vínculo. O cuidado é uma prática que vai além da técnica, apesar da técnica ser importante, ela não é mais que a relação, através do encontro, onde se pode acolher esse outro (o cliente). O vínculo é importante para se estabelecer a confiança do cliente no psicólogo.
Na relação entre o pequeno príncipe e o rei e o príncipe e o vaidoso, pode-se perceber que eles priorizavam as grandes coisas, á estética, o sentido da existência não se dava na relação com o outro, o súdito e o admirador eram significantes apenas no momento em que valorizava a eles próprios, aquilo que se quantificava (relação superficial, de aparências). Algo que dentro da psicologia fenomenológica não é o principal, os números, eram reverenciados pelo contador. Ele dava demasiada importância ao ter, ao possuir as estrelas, simplesmente pelo fato de saber que tudo aquilo era dele, e não lhe era significante a beleza das estrelas, o ser não era valorizado. Os detalhes, para o pequeno príncipe, eram a coisa mais importante, ele chorava ao ver que para alguém, a possibilidade de um dia perder a sua tão querida flor seria algo sem importância.
Essa é forma que a psicologia fenomenológica trabalha, quando preconiza a qualidade e não a quantidade. Segundo Morais (2004), a pesquisa qualitativa privilegia a experiência subjetiva do ser humano, sua vivência, considerando que esta experiência só pode ser “acessada” e descrita pelo sujeito. Diferente da pesquisa quantitativa que afasta o sujeito de suas experiências a partir de um pensamento meditante e calculante.
O encontro com a raposa faz-se muito importante para a revelação do ser-aí, no momento em que a raposa diz ser responsabilidade do príncipe cativá-la. E essa é a mensagem que fica em relação à amizade, por exemplo, o cativar está relacionado com o cuidado, com o vínculo e com a afetação. Muitas vezes a linguagem pode não dar conta da capacidade de entendimento e compreensão dos fenômenos, é preciso estar atento a todas as expressões emitidas pelo sujeito numa tentativa de olhá-lo em sua completude. Para Heidegger no momento em que a raposa ao falar com o pequeno príncipe do seu “segredo”, a partir desse diálogo ele passa a fazer uso da repetição do que tinha sido dito pela raposa para não correr o risco de esquecer-se da lição dada pela amiga. Esse repetir para lembrar também é mencionado por Heidegger quando o mesmo diz que a linguagem é um modo de ser, a fala cria a existência e esta, através das palavras, tem acesso privilegiado ao ser. Assim, o ser cria seu momento de reflexão e repetição para manter a substância do que foi dito, preservada. Essa é um tipo de devolução que o psicólogo deve fazer ao seu cliente, repetir a pergunta devolvendo-a fará com o sujeito passe a refletir mais acerca do que foi dito, e pesar se realmente é isso que o afeta ou o angustia.
O tempo direcionado para o cuidado é algo que faz parte de uma relação autêntica, enquanto o vendedor vendia pílulas para saciar a sede e fazer com que as pessoas economizassem 53 segundos por semana, o pequeno príncipe apreciava a idéia de durante esse tempo “livre” ir a procura de um poço para saciar sua sede. Mearleau-Ponty em seu livro Fenomelogia da Percepção (1999) traz uma concepção de Claudel sobre o tempo: o tempo é o sentido da vida (sentido: como se fala do sentido de um corrégo, do sentido de uma frase, do sentido do olfato) p.549.
Portanto, o livro O Pequeno Príncipe se mostra como uma obra ideal para se analisar e estudar a fenomenologia, assim como abre grandes possibilidades para a reflexão sobre a prática profissional da psicologia. Levando em consideração que Heidegger alega que o homem ao mesmo tempo que se revela, se oculta, no decorrer de uma narrativa provavelmente haverá lacunas, e esta análise possui ainda muitas lacunas. Através do contato com o livro, pôde-se fazer uma análise da narrativa a partir das experiencias tidas até o dado momento, supostamente após uma releitura, considerando que adquiriremos novas experiências, essa análise poderá ser bem diferente. Segundo Morais (2004), nossa formação é repleta de lacunas e mesmo que fosse completa não daria conta dessa prática, dada a sua originalidade e imprevisibilidade (...). Por fim, após analisar o livro com música, teóricos e filósofos, vale parafrasear um grande escritor, Paulo Coelho, que deixou explicito a importancia do além do que se vê quando diz: As coisas mais simples são as mais extraordinárias e só os sábios conseguem vê-las.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
O REUNI
Segundo dados¹ do site da Casa Civil (2007), o REUNI, Programa de Apoio a Planos de Reestruturação das Universidades Federais, é um decreto lei 6096/07 de 24 de abril de 2007, que tem como objetivo uma reforma universitária onde as principais metas são um alcance de 90% de diplomação em relação aos ingressantes, 18 alunos para cada professor e atingir essas metas em cinco anos. A adesão ao REUNI foi feita de forma voluntária, porém, a universidade que não aderir não receberá os 20% a mais que a universidade já recebe. O dinheiro disponível para essa reforma é de 2 bilhões de reais, o qual será dividido para todas as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).
O projeto do REUNI faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que é componente educacional do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O REUNI se resume em seis dimensões: (a) redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno; (b) ampliação da mobilidade estudantil, com a implantação de regimes curriculares e sistemas de títulos que possibilitem a construção de itinerários formativos, mediante o aproveitamento de créditos e a circulação de estudantes entre instituições, cursos e programas de educação superior; (c) revisão da estrutura acadêmica, com reorganização dos cursos de graduação e atualização de metodologias de ensino-aprendizagem, buscando a constante elevação da qualidade; (d) diversificação das modalidades de graduação, preferencialmente não voltadas à profissionalização precoce e especializada; (e) ampliação de políticas de inclusão e assistência estudantil; (f) articulação da graduação com a pós-graduação e da educação superior com a educação básica.
No presente trabalho serão apresentadas críticas² ao projeto do REUNI, estas serão embasadas no Blog do Movimento Contra o REUNI na UFPE, Universidade Federal do Pernambuco (2007).
Por se tratar de um Decreto, podendo ser revogado a qualquer momento, o REUNI não tem garantias de que a verba será repassada até o final do programa, que é de cinco (05) anos, sendo que o Governo Lula só vai até 2010, e o programa passa a funcionar a partir do momento em que a universidade aderir ao REUNI enviando seu próprio plano de reforma. Caso o próximo governo não queira continuar, pode simplesmente anulá-lo. Segundo o Decreto, o Ministério da Educação (MEC) terá a função de liberar 20% a mais da verba que a universidade já recebe, sendo que a quantia disponível para o programa é fixa, portanto, independente de haver ou não oscilações na economia brasileira essa quantia continuará a mesma. Esta verba também depende do orçamento do MEC, e caso não caiba neste, não será repassada, assim como, se a universidade não cumprir suas metas principais a mesma será cortada.
Como já foi supracitado, uma das metas globais do REUNI é a elevação da diplomação em 90%, que serviria para evitar o surgimento de vagas ociosas, causadas pela desistência ou transferências, porém essa meta não garante a não evasão. Além de que para que se alcance este número seria preciso aprovar o aluno sem este ter alcançado a média necessária para tal, causando assim a precarização do ensino. Outro ponto negativo nessa meta é a forma como é feito o cálculo para obtenção dessas taxas de aprovação. O cálculo é feito dividindo o número dos estudantes diplomados pelos ingressantes de cinco anos atrás. Existem cursos que tem quatro anos de duração, logo este cálculo não condiz com a realidade, podendo ser enviesado e maquiado estatisticamente. Outro fator negativo nessa meta é a realidade sócio-cultural do Brasil, onde a média de aprovação é de 60%, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao MEC. Vale ressaltar que o único país capaz de atingir tal meta é o Japão, o qual tem uma realidade bastante dispare da brasileira.
Em relação à outra meta do REUNI, que diz respeito ao aumento da relação aluno-professor para 18, há também pontos negativos. Haveria assim a sobrecarga do professor, pois este ao mesmo tempo dará aula tanto na graduação quanto na pós-graduação, assim como “quebraria” o tripé universitário (ensino-pesquisa-extensão), posto que o docente já se estaria sobrecarregado com o ensino, deixando de lado as atividades extra classe.
Outro ponto negativo do REUNI está intimamente ligado ao anteriormente citado. Para demonstração deste faz-se necessária a seguinte citação retirada de um artigo³ do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES) (2007):
“Em síntese, o banco de professores-equivalente corresponde ao total de professores de 3o. grau efetivos e substitutos em exercício na Universidade, no dia 31/12/2006, expresso na “unidade professor-equivalente”.
Para chegar a esta unidade, o governo, tomando como referência a equivalência salarial entre um professor efetivo e um professor substituto (Lei nº 11.344, de 08/09/2006, que dispõe sobre a reestruturação e a remuneração das carreiras de Magistério de Ensino superior e outras), atribuiu um fator (peso) diferenciado a cada docente, segundo sua condição de trabalho.
Na versão publicada da referida Portaria foi definido como referência, 1,0 de cálculo, o professor Adjunto I com 40 horas, ou seja, o professor Adjunto 40h-DE vale 1,55; o professor doutor 20 h vale 0,5; o professor doutor substituto 40 h vale 0,8; e o professor doutor substituto 20 h vale 0,4.
Nesta lógica, um docente em dedicação exclusiva vale um pouco mais (1,55) que 3 professores efetivos em regime de 20 h (0,5) e um pouco menos do que 4 professores substitutos com 20 h (0,4).
Considerando a necessidade do cumprimento das metas de expansão propostas no Decreto e os limites orçamentários já explicitados, a dinâmica de contratação de professores nas Universidades, pautando-se pelo ‘banco de professores-equivalentes’, e forçando um aumento de produtividade em detrimento da qualidade, vai, necessariamente, resultar na precarização das condições de trabalho.
Ao considerar que 4 professores substitutos em regime de 20 h, praticamente, equivalem a 1 professor 40 h DE, a universidade será induzida a preterir este em favor daqueles, dos quais obterá uma carga horária de ensino maior do que a de um único docente efetivo que também teria as atribuições de pesquisa e extensão, além das burocrático-administrativas.
Como a meta global do Decreto é expansão do número de matrículas nos cursos de graduação, a contratação de professores substitutos para a função exclusiva de ensino, como já ocorre atualmente (em média, um professor substituto 20hs ministra 3 disciplinas por semestre), seria a maneira mais “racional”, sem custos adicionais, de atender as demandas de crescimento do ensino superior, uma vez que 4 professores substitutos 20hs (equivalentes a um professor adjunto I-DE) atenderiam, em média, doze (12) turmas-disciplinas”.
Diante disso, fica clara a precarização do ensino, posto que haveria a preferência por professores-equivalente ao invés do professores de dedicação exclusiva, por causa do custo dos mesmos. E mais uma vez vale lembrar que o tripé universitário seria prejudicado, pois somente professores de dedicação exclusiva têm a obrigação de atuar tanto no ensino quanto na pesquisa e extensão.
O REUNI, sendo projeto para reforma universitária, inteiramente ligado ao desenvolvimento sócio-econômico do país, tem aspectos instáveis e de medida de urgência. O projeto indica metas que devem ser atingidas em cinco anos, entretanto não mostra como estas devem ser atingidas. O fato de serem delimitados cinco anos para atingir as metas acima citadas as tornaria utópicas e ao mesmo tempo tornaria o ensino precário. A educação necessita de tempo para obter melhorias.
Para construir um projeto de reforma universitária seria prudente que fossem feitas melhoras nas bases educacionais e não simplesmente “empurrasse” os sujeitos pouco capacitados, que não tiveram um bom ensino básico, oferecendo-lhes então, condições para entrar na universidade capacitados, assim como meios para manutenção destes lá dentro.
O projeto do REUNI faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que é componente educacional do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O REUNI se resume em seis dimensões: (a) redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno; (b) ampliação da mobilidade estudantil, com a implantação de regimes curriculares e sistemas de títulos que possibilitem a construção de itinerários formativos, mediante o aproveitamento de créditos e a circulação de estudantes entre instituições, cursos e programas de educação superior; (c) revisão da estrutura acadêmica, com reorganização dos cursos de graduação e atualização de metodologias de ensino-aprendizagem, buscando a constante elevação da qualidade; (d) diversificação das modalidades de graduação, preferencialmente não voltadas à profissionalização precoce e especializada; (e) ampliação de políticas de inclusão e assistência estudantil; (f) articulação da graduação com a pós-graduação e da educação superior com a educação básica.
No presente trabalho serão apresentadas críticas² ao projeto do REUNI, estas serão embasadas no Blog do Movimento Contra o REUNI na UFPE, Universidade Federal do Pernambuco (2007).
Por se tratar de um Decreto, podendo ser revogado a qualquer momento, o REUNI não tem garantias de que a verba será repassada até o final do programa, que é de cinco (05) anos, sendo que o Governo Lula só vai até 2010, e o programa passa a funcionar a partir do momento em que a universidade aderir ao REUNI enviando seu próprio plano de reforma. Caso o próximo governo não queira continuar, pode simplesmente anulá-lo. Segundo o Decreto, o Ministério da Educação (MEC) terá a função de liberar 20% a mais da verba que a universidade já recebe, sendo que a quantia disponível para o programa é fixa, portanto, independente de haver ou não oscilações na economia brasileira essa quantia continuará a mesma. Esta verba também depende do orçamento do MEC, e caso não caiba neste, não será repassada, assim como, se a universidade não cumprir suas metas principais a mesma será cortada.
Como já foi supracitado, uma das metas globais do REUNI é a elevação da diplomação em 90%, que serviria para evitar o surgimento de vagas ociosas, causadas pela desistência ou transferências, porém essa meta não garante a não evasão. Além de que para que se alcance este número seria preciso aprovar o aluno sem este ter alcançado a média necessária para tal, causando assim a precarização do ensino. Outro ponto negativo nessa meta é a forma como é feito o cálculo para obtenção dessas taxas de aprovação. O cálculo é feito dividindo o número dos estudantes diplomados pelos ingressantes de cinco anos atrás. Existem cursos que tem quatro anos de duração, logo este cálculo não condiz com a realidade, podendo ser enviesado e maquiado estatisticamente. Outro fator negativo nessa meta é a realidade sócio-cultural do Brasil, onde a média de aprovação é de 60%, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao MEC. Vale ressaltar que o único país capaz de atingir tal meta é o Japão, o qual tem uma realidade bastante dispare da brasileira.
Em relação à outra meta do REUNI, que diz respeito ao aumento da relação aluno-professor para 18, há também pontos negativos. Haveria assim a sobrecarga do professor, pois este ao mesmo tempo dará aula tanto na graduação quanto na pós-graduação, assim como “quebraria” o tripé universitário (ensino-pesquisa-extensão), posto que o docente já se estaria sobrecarregado com o ensino, deixando de lado as atividades extra classe.
Outro ponto negativo do REUNI está intimamente ligado ao anteriormente citado. Para demonstração deste faz-se necessária a seguinte citação retirada de um artigo³ do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES) (2007):
“Em síntese, o banco de professores-equivalente corresponde ao total de professores de 3o. grau efetivos e substitutos em exercício na Universidade, no dia 31/12/2006, expresso na “unidade professor-equivalente”.
Para chegar a esta unidade, o governo, tomando como referência a equivalência salarial entre um professor efetivo e um professor substituto (Lei nº 11.344, de 08/09/2006, que dispõe sobre a reestruturação e a remuneração das carreiras de Magistério de Ensino superior e outras), atribuiu um fator (peso) diferenciado a cada docente, segundo sua condição de trabalho.
Na versão publicada da referida Portaria foi definido como referência, 1,0 de cálculo, o professor Adjunto I com 40 horas, ou seja, o professor Adjunto 40h-DE vale 1,55; o professor doutor 20 h vale 0,5; o professor doutor substituto 40 h vale 0,8; e o professor doutor substituto 20 h vale 0,4.
Nesta lógica, um docente em dedicação exclusiva vale um pouco mais (1,55) que 3 professores efetivos em regime de 20 h (0,5) e um pouco menos do que 4 professores substitutos com 20 h (0,4).
Considerando a necessidade do cumprimento das metas de expansão propostas no Decreto e os limites orçamentários já explicitados, a dinâmica de contratação de professores nas Universidades, pautando-se pelo ‘banco de professores-equivalentes’, e forçando um aumento de produtividade em detrimento da qualidade, vai, necessariamente, resultar na precarização das condições de trabalho.
Ao considerar que 4 professores substitutos em regime de 20 h, praticamente, equivalem a 1 professor 40 h DE, a universidade será induzida a preterir este em favor daqueles, dos quais obterá uma carga horária de ensino maior do que a de um único docente efetivo que também teria as atribuições de pesquisa e extensão, além das burocrático-administrativas.
Como a meta global do Decreto é expansão do número de matrículas nos cursos de graduação, a contratação de professores substitutos para a função exclusiva de ensino, como já ocorre atualmente (em média, um professor substituto 20hs ministra 3 disciplinas por semestre), seria a maneira mais “racional”, sem custos adicionais, de atender as demandas de crescimento do ensino superior, uma vez que 4 professores substitutos 20hs (equivalentes a um professor adjunto I-DE) atenderiam, em média, doze (12) turmas-disciplinas”.
Diante disso, fica clara a precarização do ensino, posto que haveria a preferência por professores-equivalente ao invés do professores de dedicação exclusiva, por causa do custo dos mesmos. E mais uma vez vale lembrar que o tripé universitário seria prejudicado, pois somente professores de dedicação exclusiva têm a obrigação de atuar tanto no ensino quanto na pesquisa e extensão.
O REUNI, sendo projeto para reforma universitária, inteiramente ligado ao desenvolvimento sócio-econômico do país, tem aspectos instáveis e de medida de urgência. O projeto indica metas que devem ser atingidas em cinco anos, entretanto não mostra como estas devem ser atingidas. O fato de serem delimitados cinco anos para atingir as metas acima citadas as tornaria utópicas e ao mesmo tempo tornaria o ensino precário. A educação necessita de tempo para obter melhorias.
Para construir um projeto de reforma universitária seria prudente que fossem feitas melhoras nas bases educacionais e não simplesmente “empurrasse” os sujeitos pouco capacitados, que não tiveram um bom ensino básico, oferecendo-lhes então, condições para entrar na universidade capacitados, assim como meios para manutenção destes lá dentro.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A IMPORTANCIA DO DISCURSO PARA HEIDEGGER
O sentido do Discurso, que Heidegger define em Sein und Zeit (Ser e Tempo) como sendo " a articulação significativa da compreensão do ser-no-mundo (o homem) no sentimento de situação" (p.201), nunca é construído, mas sempre descoberto.
O mundo mostra-se-nos investido de significações utilitárias e poéticas. Daí que a linguagem seja tomada como uma leitura hermenêutica da experiência, expressão que assume uma vasta e originária significação ontológica, ao indicar a manifestação do carácter linguístico do Acontecimento do Ser.
O homem compreende sempre o Mundo no interior de um projecto interpretativo, cuja linguagem é a sua única justificação. Muito embora as coisas existam fora do gesto falado, o Mundo, esse horizonte inteligível que abre acesso aos entes, só existe, em sentido autêntico, na e pela interpretação efectuada pela e através da linguagem.
Apenas onde há linguagem há mundo, quer dizer, uma esfera em permanente transição de decisão e de obra, de acção e de responsabilidade, mas também de arbítrio e de confusão.
A análise existencial não é, definitivamente, senão um estudo do homem no universo do discurso. O "Da-sein" (ser-aí do homem) determina o modo como o próprio homem se interpreta como ente que fala e falar equivale a fazer surgir o ser do real: a linguagem é um modo do ser, uma estrutura da Ek-sistência. Porém, não é um existencial entre outros, mas o existencial fundamental no qual todos os outros ganham corpo. A linguagem não é somente uma possibilidade do "Da-sein”, mas uma determinação essencial do ser-homem, não obstante construir, a um tempo, a sua grandeza e a sua miséria.
O discurso do Mundo é, inextrincavelmente, uma palavra do Ser. E a Ek-sistência é o discurso que reflecte esta linguagem fundamental: "a linguagem é a casa do ser", na qual o homem habita e, deste modo, ek-siste, pertencendo à verdade do ser que ele próprio vigia.
Em Uterweges zur Sprache (Caminhos da Linguagem), Heidegger afasta toda a falsa interpretação desta metáfora, que aliás é muito mais do que uma simples metáfora: uma casa recolhe passivamente aqueles que abriga, enquanto a linguagem tem o poder efectivo de trazer à luz, de des-velar a essência do Ser e o ser do Homem.
A importância crucial conferida pelo filósofo à linguagem na citada passagem de Ueber den Humanismus (Carta Sobre o Humanismo) resulta justamente da firme convicção segundo a qual a linguagem é própria do homem, não apenas porque para além de todas as suas outras faculdades o homem também tem a genial capacidade de falar, de comunicar inteligivelmente através das palavras, mas sobretudo porque apenas por intermédio desta irredutível via, ele tem acesso privilegiado ao Ser. Eis o que urge recuperar face a este permanente esquecimento do da autenticidade da linguagem que conduz,
Segundo o mesmo princípio, a função da linguagem é deixar que o Ser seja. Porém, jamais poderemos obnubilar que não é mais o homem que determina o Ser, mas o ser que, através da linguagem, se revela ao homem e o determina.
O mundo mostra-se-nos investido de significações utilitárias e poéticas. Daí que a linguagem seja tomada como uma leitura hermenêutica da experiência, expressão que assume uma vasta e originária significação ontológica, ao indicar a manifestação do carácter linguístico do Acontecimento do Ser.
O homem compreende sempre o Mundo no interior de um projecto interpretativo, cuja linguagem é a sua única justificação. Muito embora as coisas existam fora do gesto falado, o Mundo, esse horizonte inteligível que abre acesso aos entes, só existe, em sentido autêntico, na e pela interpretação efectuada pela e através da linguagem.
Apenas onde há linguagem há mundo, quer dizer, uma esfera em permanente transição de decisão e de obra, de acção e de responsabilidade, mas também de arbítrio e de confusão.
A análise existencial não é, definitivamente, senão um estudo do homem no universo do discurso. O "Da-sein" (ser-aí do homem) determina o modo como o próprio homem se interpreta como ente que fala e falar equivale a fazer surgir o ser do real: a linguagem é um modo do ser, uma estrutura da Ek-sistência. Porém, não é um existencial entre outros, mas o existencial fundamental no qual todos os outros ganham corpo. A linguagem não é somente uma possibilidade do "Da-sein”, mas uma determinação essencial do ser-homem, não obstante construir, a um tempo, a sua grandeza e a sua miséria.
O discurso do Mundo é, inextrincavelmente, uma palavra do Ser. E a Ek-sistência é o discurso que reflecte esta linguagem fundamental: "a linguagem é a casa do ser", na qual o homem habita e, deste modo, ek-siste, pertencendo à verdade do ser que ele próprio vigia.
Em Uterweges zur Sprache (Caminhos da Linguagem), Heidegger afasta toda a falsa interpretação desta metáfora, que aliás é muito mais do que uma simples metáfora: uma casa recolhe passivamente aqueles que abriga, enquanto a linguagem tem o poder efectivo de trazer à luz, de des-velar a essência do Ser e o ser do Homem.
A importância crucial conferida pelo filósofo à linguagem na citada passagem de Ueber den Humanismus (Carta Sobre o Humanismo) resulta justamente da firme convicção segundo a qual a linguagem é própria do homem, não apenas porque para além de todas as suas outras faculdades o homem também tem a genial capacidade de falar, de comunicar inteligivelmente através das palavras, mas sobretudo porque apenas por intermédio desta irredutível via, ele tem acesso privilegiado ao Ser. Eis o que urge recuperar face a este permanente esquecimento do da autenticidade da linguagem que conduz,
Segundo o mesmo princípio, a função da linguagem é deixar que o Ser seja. Porém, jamais poderemos obnubilar que não é mais o homem que determina o Ser, mas o ser que, através da linguagem, se revela ao homem e o determina.
domingo, 16 de novembro de 2008
Aquisição de conhecimento
Carine da Silva Oliveira Lima*
O processo de aprendizagem pode ser definido como o modo com que os seres adquirem conhecimentos; muda o comportamento e desenvolvem competências. Trata-se de um fenômeno extremamente complexo, discutido a partir de várias perspectivas.
Ao tratar-se da aprendizagem animal, afirma-se que esse processo se da de forma associativa, através de condicionamento e em alterações adaptativas. O animal aprende (de forma, estimulo–resposta) que algumas respostas obtêm melhores resultados que outras e isso leva a repeti-las sistematicamente, modificando o comportamento. As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos.
Tratando-se de aprendizagem especificamente humana, há várias perspectivas, entre elas, algumas compartilhada com a aprendizagem animal, é o caso na perspectiva comportamental, onde o processo de aprendizagem se dá pelo condicionamento, baseado na relação estímulo-resposta, essa é a forma mais simples de aprendizagem.
O ato ou vontade de aprender é uma característica própria do psiquismo humano, pois somente este possui a intenção de aprender. É assim, descrita a perspectiva cognitivista, onde as formas de aprendizagem são mais complexa e exclusivamente humanas. A partir desse ponto de vista há vários outros processos que auxiliam na aprendizagem.
O sujeito, desde seu nascimento vai ampliando seu repertório e construindo conceitos e categorias a partir de suas experiências, esse repertório, é possível graças à memória. A memória de curto prazo é reversível e temporária, serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente, assim não têm grandes influências no processo de aprendizagem. A memória de trabalho é a interconexão entre a percepção da realidade pelos sentidos e a formação ou evocação de memórias, a memória de trabalho ou memória operacional, está em relação com o processo de aprendizagem. A memória de longo prazo, ou memória permanente, como o nome já diz, mantém as lembranças de eventos por muito tempo, estas lembranças podem ser tituladas de ocorrência aprendidas.
No âmbito cognitivo, é crescente o estudo sobre a aprendizagem implícita e a aprendizagem explícita. Avaliando que alguns acontecimentos e/ou aspectos são aprendidos e quando questionado a forma e o que foi instituído não se sabe objetar. Reber, em sua tese de doutorado, nomeou esse processo de aprendizagem implícita, onde as pessoas costumam “saber mais do que informam”. Como fala J. I. Pozo, a aprendizagem implícita, mostra que as pessoas podem adquirir representações e regras sobre as quais não podem corroborar ou, das quais não possuem consciência. (p. 25) Esse processo de aprendizagem está vinculado à estrutura mais antiga e primitiva, independendo da idade e cultura, assim tornando-se mais duradouro e econômico no ponto de vista energético.
A aprendizagem explícita, ou conhecimento propriamente dito, é aquela sobre a qual se pode informar o processo e o que aprendeu. “Acredita-se, como se observava anteriormente, que a aprendizagem explícita seja apenas aprendizagem implícita com consciência” (J.I.Pozo, p. 30). Esse processo é mais recente na evolução, e é exclusivamente humano, gera maiores gastos energéticos, é capaz de gerar novos produtos e estratégias e possui menos durabilidade que a aprendizagem implícita.
Vygotsky estudou muito o processo de aquisição de conhecimento, ele criou o conceito da zona de desenvolvimento proximal, onde as tarefas que o sujeito não consegue realizar sozinho, vão sendo aprendidas com o passar do tempo quando desenvolvidas com alguém que já possua essa capacidade, assim o sujeito pode adquirir muitas habilidades.
Há vários aspectos que influenciam no processo da aprendizagem. O interesse pelo assunto que está sendo visto, gera uma maior probabilidade de aquisição do conhecimento, também é facilitador nesse processo um conhecimento prévio sobre o assunto, as novas informações podem ser acrescentadas às informações já existentes e reorganizadas, elaborando um novo conhecimento.
Considerando os aspectos acima citados, o processo de aprendizagem se dá de forma continua, implícita e explícita. Sendo que nos seres humanos isto acontece de maneira mais estruturada. É necessária uma integração entre as perspectivas desse processo para que haja uma melhor estruturação do conceito, e assim abrindo um leque para o surgimento de novas perspectivas.
Referencias:
Izquierdo, I. Memória. Porto Alegre, ArtMed Editora AS, 2002.
Leme, M. I. da S. Aquisição de conhecimento. Boletim de Psicologia, v.55 n.123. São Paulo, dez. 2005
POZO, J.I. Aquisição do Conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2004.
* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco
O processo de aprendizagem pode ser definido como o modo com que os seres adquirem conhecimentos; muda o comportamento e desenvolvem competências. Trata-se de um fenômeno extremamente complexo, discutido a partir de várias perspectivas.
Ao tratar-se da aprendizagem animal, afirma-se que esse processo se da de forma associativa, através de condicionamento e em alterações adaptativas. O animal aprende (de forma, estimulo–resposta) que algumas respostas obtêm melhores resultados que outras e isso leva a repeti-las sistematicamente, modificando o comportamento. As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos.
Tratando-se de aprendizagem especificamente humana, há várias perspectivas, entre elas, algumas compartilhada com a aprendizagem animal, é o caso na perspectiva comportamental, onde o processo de aprendizagem se dá pelo condicionamento, baseado na relação estímulo-resposta, essa é a forma mais simples de aprendizagem.
O ato ou vontade de aprender é uma característica própria do psiquismo humano, pois somente este possui a intenção de aprender. É assim, descrita a perspectiva cognitivista, onde as formas de aprendizagem são mais complexa e exclusivamente humanas. A partir desse ponto de vista há vários outros processos que auxiliam na aprendizagem.
O sujeito, desde seu nascimento vai ampliando seu repertório e construindo conceitos e categorias a partir de suas experiências, esse repertório, é possível graças à memória. A memória de curto prazo é reversível e temporária, serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente, assim não têm grandes influências no processo de aprendizagem. A memória de trabalho é a interconexão entre a percepção da realidade pelos sentidos e a formação ou evocação de memórias, a memória de trabalho ou memória operacional, está em relação com o processo de aprendizagem. A memória de longo prazo, ou memória permanente, como o nome já diz, mantém as lembranças de eventos por muito tempo, estas lembranças podem ser tituladas de ocorrência aprendidas.
No âmbito cognitivo, é crescente o estudo sobre a aprendizagem implícita e a aprendizagem explícita. Avaliando que alguns acontecimentos e/ou aspectos são aprendidos e quando questionado a forma e o que foi instituído não se sabe objetar. Reber, em sua tese de doutorado, nomeou esse processo de aprendizagem implícita, onde as pessoas costumam “saber mais do que informam”. Como fala J. I. Pozo, a aprendizagem implícita, mostra que as pessoas podem adquirir representações e regras sobre as quais não podem corroborar ou, das quais não possuem consciência. (p. 25) Esse processo de aprendizagem está vinculado à estrutura mais antiga e primitiva, independendo da idade e cultura, assim tornando-se mais duradouro e econômico no ponto de vista energético.
A aprendizagem explícita, ou conhecimento propriamente dito, é aquela sobre a qual se pode informar o processo e o que aprendeu. “Acredita-se, como se observava anteriormente, que a aprendizagem explícita seja apenas aprendizagem implícita com consciência” (J.I.Pozo, p. 30). Esse processo é mais recente na evolução, e é exclusivamente humano, gera maiores gastos energéticos, é capaz de gerar novos produtos e estratégias e possui menos durabilidade que a aprendizagem implícita.
Vygotsky estudou muito o processo de aquisição de conhecimento, ele criou o conceito da zona de desenvolvimento proximal, onde as tarefas que o sujeito não consegue realizar sozinho, vão sendo aprendidas com o passar do tempo quando desenvolvidas com alguém que já possua essa capacidade, assim o sujeito pode adquirir muitas habilidades.
Há vários aspectos que influenciam no processo da aprendizagem. O interesse pelo assunto que está sendo visto, gera uma maior probabilidade de aquisição do conhecimento, também é facilitador nesse processo um conhecimento prévio sobre o assunto, as novas informações podem ser acrescentadas às informações já existentes e reorganizadas, elaborando um novo conhecimento.
Considerando os aspectos acima citados, o processo de aprendizagem se dá de forma continua, implícita e explícita. Sendo que nos seres humanos isto acontece de maneira mais estruturada. É necessária uma integração entre as perspectivas desse processo para que haja uma melhor estruturação do conceito, e assim abrindo um leque para o surgimento de novas perspectivas.
Referencias:
Izquierdo, I. Memória. Porto Alegre, ArtMed Editora AS, 2002.
Leme, M. I. da S. Aquisição de conhecimento. Boletim de Psicologia, v.55 n.123. São Paulo, dez. 2005
POZO, J.I. Aquisição do Conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2004.
* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
O ENCONTRO SOCIAL
Psicologia social é a área da Psicologia que procura estudar a interação social. É assim que Aroldo Rodrigues, psicólogo brasileiro, define essa área. Diz ele que a Psicologia social é o estudo das "manifestações comportamentais suscitadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas, ou pela mera expectativa de tal interação".
A integração social, a interdependência entre os indivíduos, o encontro social são os objetos investigados por essa área da Psicologia. Assim, vamos falar dos principais conceitos da Psicologia social a partir do ponto de visto do encontro social.
Dessa perspectiva, os principais conceitos são: a percepção social; a comunicação; as atitudes; a mudança de atitudes; o processo de socialização; os grupos sociais e os papéis sociais.
Críticas á Psicologia Social
Aqui um novo encontro se inicia, pois temos algumas coisas a dizer sobre o nosso encontro passado.
A teoria de Psicologia social, que orientou o nosso encontro anterior, tem recebido, hoje em dia, inúmeras críticas. Apontamos agora as principais:
a). É uma Psicologia social baseada em um método descritivo, ou seja, um método que se propõe a descrever aquilo que é observável, fatual. É uma psicologia que organiza e dá nome aos processos observáveis dos encontros sociais.
b). É uma Psicologia social que tem seu desenvolvimento comprometido com os objetivos da sociedade norte-americana do pós-guerra, que precisava de conhecimentos e de instrumentos que possibilitassem a intervenção na realidade, de forma a obter resultados imediatos, com a intenção de recuperar uma nação, garantindo o aumento da produtividade econômica, Não é para menos que os temas mais desenvolvidos foram a comunicação persuasiva, a mudança de atitudes, a dinâmica grupal etc., voltados sempre para a procura de "fórmulas de ajustamento e adequação de comportamentos individuais ao contexto social".
c). É uma Psicologia social que parte de uma noção estreita do social. Este é considerado apenas como a relação entre pessoas – a interação pessoal -, e não como um conjunto de produções humanas capazes de, ao mesmo tempo em que vão construindo a realidade social, construir também o indivíduo. Esta concepção será a referência para a construção de uma nova Psicologia social.
UMA NOVA PSICOLOGIA SOCIAL
Com uma posição mais crítica em relação à realidade social e à contribuição da ciência para a transformação da sociedade, vem sendo desenvolvida uma nova Psicologia social, buscando a superação das limitações apontadas anteriormente,
A Psicologia social mantém-se aqui como uma área de conhecimento da Psicologia, que procura aprofundar o conhecimento da natureza social do fenômeno psíquico.
O que quer dizer isso?
A subjetividade humana, isto é, esse mundo interno que possuímos e suas expressões são construídas nas relações sociais, ou seja, surge do contato entre os homens e dos homens com a Natureza.
Assim, a Psicologia social, como área de conhecimento, passa a estudar o psiquismo humano, objeto da Psicologia, buscando compreender como se dá a construção desse mundo interno a partir das relações sociais vividas pelo homem. O mundo objetivo passa a ser visto, não como fator de influência para o desenvolvimento da subjetividade, mas como fator constitutivo.
Numa concepção como essa, o comportamento deixa de ser "o objeto de estudo", para ser uma das expressões do mundo psíquico e fonte importante de dados para compreensão da subjetividade, pois ele se encontra no nível do empírico e pode ser observado; no entanto, essa nova Psicologia social pretende ir além do que é observável, ou seja, além do comportamento, buscando compreender o mundo invisível do homem.
Além disso, essa Psicologia social abandona por completo a diferença entre comportamento em situação de interação ou não interação. Aqui o homem é um ser social por natureza. Entende-se aqui cada indivíduo aprende a ser um homem nas relações com os outros homens, quando se apropria da realidade criada pelas gerações anteriores, apropriação essa que se dá pelo manuseio dos instrumentos e aprendizado da cultura humana.
O homem como ser social, como um ser de relações sociais, está em permanente movimento. Estamos sempre nos transformando, apesar de aparentemente nos mantermos iguais, Isso porque nosso mundo interno se alimenta dos conteúdos que vêm do mundo externo e, como nossa relação com esse mundo externo não cessa, estamos sempre como que fazendo a "digestão" desses alimentos e, portanto, sempre em movimento, em processo de transformação.
Ora, se estamos em permanente movimento, não podemos Ter um conjunto teórico onde os conceitos paralisam nosso objeto de estudo. Se nos limitarmos a falar das atitudes, da percepção, dos papéis sociais e acreditarmos que com isso compreendemos o homem, não estarem, os percebendo que, ao desempenhar esse papel, ao perceber o outro e ao desenvolver ou falar sobre sua atitude, o homem estará em movimento, Por isso, nossa metodologia e nosso corpo teórico devem ser capazes de captar esse homem em movimento.
E, superando esse conceitual da antiga Psicologia social, a nova irá propor, como conceitos básicos de análise, a atividade, a consciência e a identidade, que são as propriedades ou características essenciais dos homens e expressam o movimento humano. Esses conceitos e concepções foram e vêm sendo desenvolvidos por vários autores soviéticos que produziram até a década de 60; Silvia Lane e Antônio Ciampa, que são brasileiros e trabalham ativamente na PUCSP.
A integração social, a interdependência entre os indivíduos, o encontro social são os objetos investigados por essa área da Psicologia. Assim, vamos falar dos principais conceitos da Psicologia social a partir do ponto de visto do encontro social.
Dessa perspectiva, os principais conceitos são: a percepção social; a comunicação; as atitudes; a mudança de atitudes; o processo de socialização; os grupos sociais e os papéis sociais.
Críticas á Psicologia Social
Aqui um novo encontro se inicia, pois temos algumas coisas a dizer sobre o nosso encontro passado.
A teoria de Psicologia social, que orientou o nosso encontro anterior, tem recebido, hoje em dia, inúmeras críticas. Apontamos agora as principais:
a). É uma Psicologia social baseada em um método descritivo, ou seja, um método que se propõe a descrever aquilo que é observável, fatual. É uma psicologia que organiza e dá nome aos processos observáveis dos encontros sociais.
b). É uma Psicologia social que tem seu desenvolvimento comprometido com os objetivos da sociedade norte-americana do pós-guerra, que precisava de conhecimentos e de instrumentos que possibilitassem a intervenção na realidade, de forma a obter resultados imediatos, com a intenção de recuperar uma nação, garantindo o aumento da produtividade econômica, Não é para menos que os temas mais desenvolvidos foram a comunicação persuasiva, a mudança de atitudes, a dinâmica grupal etc., voltados sempre para a procura de "fórmulas de ajustamento e adequação de comportamentos individuais ao contexto social".
c). É uma Psicologia social que parte de uma noção estreita do social. Este é considerado apenas como a relação entre pessoas – a interação pessoal -, e não como um conjunto de produções humanas capazes de, ao mesmo tempo em que vão construindo a realidade social, construir também o indivíduo. Esta concepção será a referência para a construção de uma nova Psicologia social.
UMA NOVA PSICOLOGIA SOCIAL
Com uma posição mais crítica em relação à realidade social e à contribuição da ciência para a transformação da sociedade, vem sendo desenvolvida uma nova Psicologia social, buscando a superação das limitações apontadas anteriormente,
A Psicologia social mantém-se aqui como uma área de conhecimento da Psicologia, que procura aprofundar o conhecimento da natureza social do fenômeno psíquico.
O que quer dizer isso?
A subjetividade humana, isto é, esse mundo interno que possuímos e suas expressões são construídas nas relações sociais, ou seja, surge do contato entre os homens e dos homens com a Natureza.
Assim, a Psicologia social, como área de conhecimento, passa a estudar o psiquismo humano, objeto da Psicologia, buscando compreender como se dá a construção desse mundo interno a partir das relações sociais vividas pelo homem. O mundo objetivo passa a ser visto, não como fator de influência para o desenvolvimento da subjetividade, mas como fator constitutivo.
Numa concepção como essa, o comportamento deixa de ser "o objeto de estudo", para ser uma das expressões do mundo psíquico e fonte importante de dados para compreensão da subjetividade, pois ele se encontra no nível do empírico e pode ser observado; no entanto, essa nova Psicologia social pretende ir além do que é observável, ou seja, além do comportamento, buscando compreender o mundo invisível do homem.
Além disso, essa Psicologia social abandona por completo a diferença entre comportamento em situação de interação ou não interação. Aqui o homem é um ser social por natureza. Entende-se aqui cada indivíduo aprende a ser um homem nas relações com os outros homens, quando se apropria da realidade criada pelas gerações anteriores, apropriação essa que se dá pelo manuseio dos instrumentos e aprendizado da cultura humana.
O homem como ser social, como um ser de relações sociais, está em permanente movimento. Estamos sempre nos transformando, apesar de aparentemente nos mantermos iguais, Isso porque nosso mundo interno se alimenta dos conteúdos que vêm do mundo externo e, como nossa relação com esse mundo externo não cessa, estamos sempre como que fazendo a "digestão" desses alimentos e, portanto, sempre em movimento, em processo de transformação.
Ora, se estamos em permanente movimento, não podemos Ter um conjunto teórico onde os conceitos paralisam nosso objeto de estudo. Se nos limitarmos a falar das atitudes, da percepção, dos papéis sociais e acreditarmos que com isso compreendemos o homem, não estarem, os percebendo que, ao desempenhar esse papel, ao perceber o outro e ao desenvolver ou falar sobre sua atitude, o homem estará em movimento, Por isso, nossa metodologia e nosso corpo teórico devem ser capazes de captar esse homem em movimento.
E, superando esse conceitual da antiga Psicologia social, a nova irá propor, como conceitos básicos de análise, a atividade, a consciência e a identidade, que são as propriedades ou características essenciais dos homens e expressam o movimento humano. Esses conceitos e concepções foram e vêm sendo desenvolvidos por vários autores soviéticos que produziram até a década de 60; Silvia Lane e Antônio Ciampa, que são brasileiros e trabalham ativamente na PUCSP.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Brentano, inicio da Fenomenologia
Franz Clemens Honoratus Hermann Brentano, viveu de 1838 a 1917. O oposicionismo foi uma característica marcante em sua vida. Foi ordenado padre, mas suas dúvidas sobre o dogma da infalibilidade papal fez com que ele decidisse abandonar o sacerdócio. Formou-se em filosofia, publicando várias coisas da área da história da filosofia, teoria filosófica,ontologia,metafísica, lógica - lingüística e ministrava aulas a respeito do trabalho de Aristóteles.
Em 1974, publicou A Psicologia do Ponto de Vista Empírico, essa publicação foi nomeada posteriormente por estudiosos como uma das primeiras tentativas de “fundar” uma nova ciência, a psicologia da alma.
Brentano defendeu a proposta de um método empírico nos estudos dos fenômenos psíquicos, porem não limitada ao experimental e sim em um estudo baseado na análise das reações provocadas pelas experiências humanas. A este respeito Schultz e Schultz (2005, p.97) vão dizer:
“Brentano considerava a observação, e não a experimentação, o principal método da psicologia. Acreditava que a abordagem empirista caracterizava-se por um escopo geralmente mais amplo,já que aceitava, alem dos dados da observação e da experiência individual, os da experimentação.”
Brentano rejeitou a consciência como algo permanentemente real, afirmou que a consciência só existe se ela for direcionada para algum objeto, “existência-dentro-de”, propondo a intencionalidade como a principal característica da consciência.
Todos os fenômenos psicológicos serão construídos a partir de experiências intencionais, ocorrem como juízos, representações e fenômenos emocionais. Assim o sujeito passa a ser visto como construtor de significado pelo meio de sua percepção de mundo. (Brentano 1995, p. 88):
Todo fenômeno mental inclui algo como abjeto dentro de si mesmo, ainda que os objetos não estejam todos do mesmo modo. [Assim,] Na representação, algo é representado; no julgamento, algo é afirmado ou negado; no amor, amado; no ódio, odiado; no desejo, desejado e assim por diante.
Ele fundou a psicologia do ato, argumentando que o fenômeno psíquico se constitui como atividade e não como conteúdo. A representação em si constitui a atividade da representação, quer seja expressa ou pensada. È a observação no ato e não do ato.
As idéias de Brentano vão dar inicio a uma psicologia que irá buscar as propriedades da consciência através da experiência interna. A partir da sistematização da teoria de Franz, sugiram a psicologia fenomenológica, a psicologia da gestalt, a psicanálise e outras que dão ênfase a consciência como forma de intencionalidade.
Em 1974, publicou A Psicologia do Ponto de Vista Empírico, essa publicação foi nomeada posteriormente por estudiosos como uma das primeiras tentativas de “fundar” uma nova ciência, a psicologia da alma.
Brentano defendeu a proposta de um método empírico nos estudos dos fenômenos psíquicos, porem não limitada ao experimental e sim em um estudo baseado na análise das reações provocadas pelas experiências humanas. A este respeito Schultz e Schultz (2005, p.97) vão dizer:
“Brentano considerava a observação, e não a experimentação, o principal método da psicologia. Acreditava que a abordagem empirista caracterizava-se por um escopo geralmente mais amplo,já que aceitava, alem dos dados da observação e da experiência individual, os da experimentação.”
Brentano rejeitou a consciência como algo permanentemente real, afirmou que a consciência só existe se ela for direcionada para algum objeto, “existência-dentro-de”, propondo a intencionalidade como a principal característica da consciência.
Todos os fenômenos psicológicos serão construídos a partir de experiências intencionais, ocorrem como juízos, representações e fenômenos emocionais. Assim o sujeito passa a ser visto como construtor de significado pelo meio de sua percepção de mundo. (Brentano 1995, p. 88):
Todo fenômeno mental inclui algo como abjeto dentro de si mesmo, ainda que os objetos não estejam todos do mesmo modo. [Assim,] Na representação, algo é representado; no julgamento, algo é afirmado ou negado; no amor, amado; no ódio, odiado; no desejo, desejado e assim por diante.
Ele fundou a psicologia do ato, argumentando que o fenômeno psíquico se constitui como atividade e não como conteúdo. A representação em si constitui a atividade da representação, quer seja expressa ou pensada. È a observação no ato e não do ato.
As idéias de Brentano vão dar inicio a uma psicologia que irá buscar as propriedades da consciência através da experiência interna. A partir da sistematização da teoria de Franz, sugiram a psicologia fenomenológica, a psicologia da gestalt, a psicanálise e outras que dão ênfase a consciência como forma de intencionalidade.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O fantasma de uma linguagem pura
erra, já se fala há muito tempo, e a maior parte do que se diz passa despercebido. “Uma rosa”, “chove”, “o tempo está bom”, “o homem é mortal”. Esses são, para nós, casos puros de expressão. Parece-nos que esta atinge seu auge quando assinala inequivocamente acontecimentos, estados de coisas, idéias ou relações, porque então não deixa mais nada a desejar, não contém nada que não se mostre e nos faz passar ao objeto que ela designa. o diálogo, o relato, o jogo de palavras, a confidência, a promessa, a prece, a eloqüência, a literatura, enfim, essa linguagem a segunda potência, em que se fala de coisas e de idéias apenas para atingir alguém, em que as palavras respondem a palavras, que se exalta em si mesma e constrói acima da natureza um reino murmurante e febril, nós a tratamos como simples variedade das formas canônicas que enunciam alguma coisa.
(Merleau Ponty)
(Merleau Ponty)
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
A concepção de adolescência em uma abordagem sócio-historica
Carine da Silva Oliveira Lima*
Os textos analisados são resultados de pesquisas que buscam definir a concepção de “adolescência” dentro de varias abordagens; da visão de psicólogos de áreas diferentes (Saúde, Educação, Jurídica e Orientação profissional).
Até o século XX a concepção que a Psicologia tinha sobre o adolescente era pautada numa abordagem meramente psicanalítica, onde o individuo perdia a bissexualidade infantil , a linguagem própria da infância e a dependência infantil que mantinha com os adultos.
Em meados do século, na América do Sul marcava-se uma visão que constituiu uma concepção naturalista e universal do adolescente, assimilada pelo homem comum, pelos meios de comunicação de massa, pela cultura ocidental e reafirmada pela Psicologia tradicional. Onde diz que nessa fase o adolescente possui uma mentalidade própria com um psiquismo característico dessa fase, que possui venerabilidade especial para assimilar os impactos projetados pelos pais, irmão, amigos e sociedade em geral.
Discute-se se o processo adolescente é universal, pois, faz ressalva ao considerar que a crise de identidade tem sentido apenas nos jovens de classes sociais mais privilegiadas. Destaca como marca a rebeldia. Dessa maneira, reafirma que a questão de “síndrome natural” e da universalidade na concepção de adolescente.
Dentro da visão liberal de homem, é considerada a natureza humana, a sociedade como algo externo no qual este homem é livre podendo ser contrários às tendências naturais um ser privado, verdadeiro no seu Eu, podendo assim manter uma relação com o exterior, que estimule ou não seu desenvolvimento.
Nesta visão a pratica psicológica é centrada na idéia de doença e de cura, visto que visa a correção, o tratamento de distúrbios, usando técnicas adaptativas que permitem ao ser comporta-se no mundo social de forma adaptada, atendendo a visões morais e medicas da saúde.
Entende-se que é preciso abandonar as visões neutralizastes que geram propostas de trabalho, como imutável e que não vêem nas questões da Psicologia, determinações que são sociais.
A visão sócio-histórica concebe o homem como um ser histórico constituído no seu movimento, ao longo do tempo e pelas relações sociais e culturais engendradas pela humanidade.
Nesta visão não há uma adolescência natural. Esta é constituída pelos homens em suas relações. A adolescência deixa de ser analisada como algo abstrato, para ser vista como uma etapa que se desenvolve na sociedade.
Passa-se a se compreender que as formas que assumem como identidades, personalidades e subjetividade são constituídas historicamente. Deixam de ser tão moralistas, ou prescritivos de uma suposta normalidade. Os modelos de normalidade e de saúde precisam ser considerados historicamente.
A cultura aparece como molde da expressão de uma adolescência natural, que sofre a pressão da sociedade que dificulta o ingresso do jovem no mercado de trabalho, expondo assim, ao que é natural, uma fase moratória, de espera questionadora, onde o adolescente não se conforma em ser mero espectador e busca formas de interação e transformar o contexto social, daí, a rebeldia e os conflitos.
““ Para Calligaris a adolescência é uma fase que se instituiu na nossa cultura e se tornou problemática pela falta de uma definição social clara das competências adultas e, consequentemente, das competências dos adolescentes “” (Calligaris apud Sergio Ozolla)
A adolescência não existiu sempre, constituiu-se na história a partir de necessidades sociais e todas as características se dão a partir das condições históricas do mundo adulto.
Compreender a condição da identidade do sujeito como um processo continuo dentro de um grupo social produtivo, criativo, deve ser como é (natural), assim será constituída e construída a forma do projeto de vida dessa adolescência.
A concepção de individuo/adolescente não pode ser apenas um conjunto de estratégias e atividades, a reflexão sobre os fundamentos e pressupostos teóricos que orientam a pratica, indicando assim a ética que ai está contida, norteando a subjetivação e objetivação do individuo para a promoção de saúde vincula o profissional ao histórico-social.
Um sujeito ao mesmo tempo único, singular/histórico e social. Os adolescentes não se vêem como atuante em suas próprias vidas. Eles seguem uma tendência, reafirmando o modelo já existente de emprego e família. Não almejam emprego apenas como fonte de remuneração, mas também como fonte de vínculos com a sociedade, status, prestigio e estabilidade.
Quando o almejado não é alcançado o adolescente sente-se fracassado, esquecendo-se de que vários são os fatores que determinam o insucesso (questões familiares, falta de políticas públicas destinadas à juventude, intolerância por falta de maturidade, a forma como os profissionais da área de Psicologia vêem os mesmos, etc.).
Conclui-se que é necessária uma maior reflexão sobre o tema em questão, isso é, adolescência para os profissionais em Psicologia e suas práticas, principalmente dentro da abordagem sócio-histórica.O mesmo deve ocorrer com as Políticas Públicas e temas curriculares que dêem embasamento aos novos profissionais e aos jovens que entram neste universo.
* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco
REFERENCIAS:
BOCK, Ana; GONÇALVES, Maria; FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. -3. Ed. - São Paulo: Cortez, 2007.
OZELLA, Sérgio (org.). Adolescências construídas: a visão da psicologia sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2003.
Os textos analisados são resultados de pesquisas que buscam definir a concepção de “adolescência” dentro de varias abordagens; da visão de psicólogos de áreas diferentes (Saúde, Educação, Jurídica e Orientação profissional).
Até o século XX a concepção que a Psicologia tinha sobre o adolescente era pautada numa abordagem meramente psicanalítica, onde o individuo perdia a bissexualidade infantil , a linguagem própria da infância e a dependência infantil que mantinha com os adultos.
Em meados do século, na América do Sul marcava-se uma visão que constituiu uma concepção naturalista e universal do adolescente, assimilada pelo homem comum, pelos meios de comunicação de massa, pela cultura ocidental e reafirmada pela Psicologia tradicional. Onde diz que nessa fase o adolescente possui uma mentalidade própria com um psiquismo característico dessa fase, que possui venerabilidade especial para assimilar os impactos projetados pelos pais, irmão, amigos e sociedade em geral.
Discute-se se o processo adolescente é universal, pois, faz ressalva ao considerar que a crise de identidade tem sentido apenas nos jovens de classes sociais mais privilegiadas. Destaca como marca a rebeldia. Dessa maneira, reafirma que a questão de “síndrome natural” e da universalidade na concepção de adolescente.
Dentro da visão liberal de homem, é considerada a natureza humana, a sociedade como algo externo no qual este homem é livre podendo ser contrários às tendências naturais um ser privado, verdadeiro no seu Eu, podendo assim manter uma relação com o exterior, que estimule ou não seu desenvolvimento.
Nesta visão a pratica psicológica é centrada na idéia de doença e de cura, visto que visa a correção, o tratamento de distúrbios, usando técnicas adaptativas que permitem ao ser comporta-se no mundo social de forma adaptada, atendendo a visões morais e medicas da saúde.
Entende-se que é preciso abandonar as visões neutralizastes que geram propostas de trabalho, como imutável e que não vêem nas questões da Psicologia, determinações que são sociais.
A visão sócio-histórica concebe o homem como um ser histórico constituído no seu movimento, ao longo do tempo e pelas relações sociais e culturais engendradas pela humanidade.
Nesta visão não há uma adolescência natural. Esta é constituída pelos homens em suas relações. A adolescência deixa de ser analisada como algo abstrato, para ser vista como uma etapa que se desenvolve na sociedade.
Passa-se a se compreender que as formas que assumem como identidades, personalidades e subjetividade são constituídas historicamente. Deixam de ser tão moralistas, ou prescritivos de uma suposta normalidade. Os modelos de normalidade e de saúde precisam ser considerados historicamente.
A cultura aparece como molde da expressão de uma adolescência natural, que sofre a pressão da sociedade que dificulta o ingresso do jovem no mercado de trabalho, expondo assim, ao que é natural, uma fase moratória, de espera questionadora, onde o adolescente não se conforma em ser mero espectador e busca formas de interação e transformar o contexto social, daí, a rebeldia e os conflitos.
““ Para Calligaris a adolescência é uma fase que se instituiu na nossa cultura e se tornou problemática pela falta de uma definição social clara das competências adultas e, consequentemente, das competências dos adolescentes “” (Calligaris apud Sergio Ozolla)
A adolescência não existiu sempre, constituiu-se na história a partir de necessidades sociais e todas as características se dão a partir das condições históricas do mundo adulto.
Compreender a condição da identidade do sujeito como um processo continuo dentro de um grupo social produtivo, criativo, deve ser como é (natural), assim será constituída e construída a forma do projeto de vida dessa adolescência.
A concepção de individuo/adolescente não pode ser apenas um conjunto de estratégias e atividades, a reflexão sobre os fundamentos e pressupostos teóricos que orientam a pratica, indicando assim a ética que ai está contida, norteando a subjetivação e objetivação do individuo para a promoção de saúde vincula o profissional ao histórico-social.
Um sujeito ao mesmo tempo único, singular/histórico e social. Os adolescentes não se vêem como atuante em suas próprias vidas. Eles seguem uma tendência, reafirmando o modelo já existente de emprego e família. Não almejam emprego apenas como fonte de remuneração, mas também como fonte de vínculos com a sociedade, status, prestigio e estabilidade.
Quando o almejado não é alcançado o adolescente sente-se fracassado, esquecendo-se de que vários são os fatores que determinam o insucesso (questões familiares, falta de políticas públicas destinadas à juventude, intolerância por falta de maturidade, a forma como os profissionais da área de Psicologia vêem os mesmos, etc.).
Conclui-se que é necessária uma maior reflexão sobre o tema em questão, isso é, adolescência para os profissionais em Psicologia e suas práticas, principalmente dentro da abordagem sócio-histórica.O mesmo deve ocorrer com as Políticas Públicas e temas curriculares que dêem embasamento aos novos profissionais e aos jovens que entram neste universo.
* Aluna Graduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco
REFERENCIAS:
BOCK, Ana; GONÇALVES, Maria; FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. -3. Ed. - São Paulo: Cortez, 2007.
OZELLA, Sérgio (org.). Adolescências construídas: a visão da psicologia sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2003.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
A redução Fenomenologica
A fenomenologia originou-se das pesquisas de Edmund Husserl, para quem os fenômenos psíquicos distinguiam-se dos físicos pela sua intencionalidade, por visarem a um objeto, por serem percebidos e pelo modo de percepção que deles se têm constituir o seu conhecimento fundamental. As experiências, as vivências, não devem constituir simples momentos na vida de um sujeito: precisam ser por ele apreendidas, adquirir uma significação, ter seu sentido revelado. Tal revelação se alcança pela aplicação do método fenomenológico, que consiste em ir às coisas mesmas, aos fenômenos, ao que aparece à consciência, que se manifesta em si mesmo, que se dá como objeto intencional. A fenomenologia não efetua um investigar com problemas e hipóteses, definição de variáveis, teorias explicativas, manipulações e medidas, tratamento estatístico, em uma desconexão do método científico positivista. O método fenomenológico questiona o conhecimento, coloca entre parênteses crenças e proposições sobre o mundo natural, operação conhecida como epoché. A redução fenomenológica ou epoché suspende,coloca fora de ação todas as afirmações espontâneas nas quais a pessoa vive, para compreendê-las. O ato mental se descreve livre de teorias e pressuposições. Pela redução, o fenômeno se apresenta puro, livre dos elementos pessoais e culturais, chega-se ao nível de sua essência, o conteúdo ideal e inteligível dos fenômenos. Todo objeto percebido tem a sua essência, que é o ser da coisa, isto é, um puro possível, um objeto ideal.
A percepção é o ponto de partida para se alcançar uma essência. Esta não varia com as alterações de um objeto ou com seu desaparecimento, esclarece os fatos conhecidos ao ser confrontada com eles e identifica um fenômeno, em qualquer circunstância de sua realização e da experiência sensorial efetiva, por ser sempre idêntica a si própria. Os fenômenos se dão a nós por intermédio dos sentidos,eles se dão sempre como dotados de uma essência.
Atingir essências universais e válidas para todos os sujeitos permite à fenomenologia estabelecer um conhecimento intersubjetivo e ao mesmo tempo verdadeiramente objetivo, válido para todos, pela redução fenomenológica, pela qual se distingue o eu que vivencia, a sua vivência e o mundo que influencia o eu e a vivência. A redução permite chegar à essência do fenômeno como um dado, essência que é universal. Portanto, a fenomenologia estuda o universal, o que é válido para todos os sujeitos. O que uma pessoa vivencia, o que conhece, é vivência para todos, por sua redução a uma pureza íntima, a uma realidade absoluta.
A percepção é o ponto de partida para se alcançar uma essência. Esta não varia com as alterações de um objeto ou com seu desaparecimento, esclarece os fatos conhecidos ao ser confrontada com eles e identifica um fenômeno, em qualquer circunstância de sua realização e da experiência sensorial efetiva, por ser sempre idêntica a si própria. Os fenômenos se dão a nós por intermédio dos sentidos,eles se dão sempre como dotados de uma essência.
Atingir essências universais e válidas para todos os sujeitos permite à fenomenologia estabelecer um conhecimento intersubjetivo e ao mesmo tempo verdadeiramente objetivo, válido para todos, pela redução fenomenológica, pela qual se distingue o eu que vivencia, a sua vivência e o mundo que influencia o eu e a vivência. A redução permite chegar à essência do fenômeno como um dado, essência que é universal. Portanto, a fenomenologia estuda o universal, o que é válido para todos os sujeitos. O que uma pessoa vivencia, o que conhece, é vivência para todos, por sua redução a uma pureza íntima, a uma realidade absoluta.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Estágios de Jean Piaget
Piaget estava interessado em como é que um organismo se adapta ao seu ambiente (ele descreveu esta capacidade como inteligência) Onde o comportamento é controlado através de organizações mentais denominadas “esquemas”, que o indivíduo utiliza para representar o mundo e para designar as ações.Essa adaptação é guiada por uma orientação biológica para obter o balanço entre esses esquemas e o ambiente em que está. (equilibração). Assim, estabelecer um desiquilíbrio é a motivação primária para alterar as estruturas mentais do indivíduo.
Piaget descreveu 2 processos utilizados pelo sujeito na sua tentativa de adaptação: assimilação e acomodação.
Assimilação: É o moldar das novas informações para encaixar nos esquemas existentes.
Acomodação: São as mudança nos esquemas existentes pela alteração de antigas formas de pensar ou agir.
OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO:
Estádio sensório-motor ( do nascimento aos 2/3 anos) - a criança desenvolve um conjunto de "esquemas de ação" sobre o objeto, que lhe permitem construir um conhecimento físico da realidade. Nesta etapa desenvolve o conceito de permanência do objeto, constrói esquemas sensório-motores e é capaz de fazer imitações, construindo representações mentais cada vez mais complexas
Estádio pré-operatório (ou intuitivo) (dos 2/3 aos 6/7 anos) - a criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada idade dos porquês e do faz-de-conta.
Estádio operatório-concreto (dos 6/7 aos 10/11 anos) - a criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações.
Estádio operatório-formal (dos 10/11 aos 15/16 anos) - fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato, conceptual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente.
Piaget descreveu 2 processos utilizados pelo sujeito na sua tentativa de adaptação: assimilação e acomodação.
Assimilação: É o moldar das novas informações para encaixar nos esquemas existentes.
Acomodação: São as mudança nos esquemas existentes pela alteração de antigas formas de pensar ou agir.
OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO:
Estádio sensório-motor ( do nascimento aos 2/3 anos) - a criança desenvolve um conjunto de "esquemas de ação" sobre o objeto, que lhe permitem construir um conhecimento físico da realidade. Nesta etapa desenvolve o conceito de permanência do objeto, constrói esquemas sensório-motores e é capaz de fazer imitações, construindo representações mentais cada vez mais complexas
Estádio pré-operatório (ou intuitivo) (dos 2/3 aos 6/7 anos) - a criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada idade dos porquês e do faz-de-conta.
Estádio operatório-concreto (dos 6/7 aos 10/11 anos) - a criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações.
Estádio operatório-formal (dos 10/11 aos 15/16 anos) - fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato, conceptual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente.
domingo, 21 de setembro de 2008
O Isso, Super-eu e Eu
"A Psicanálise propõe mostrar que o Eu não somente não é senhor na sua própria casa, mas também está reduzido a contentar-se com informações raras e fragmentadas daquilo que se passa fora da consciência, no restante da vida psíquica... A divisão do psíquico num psíquico consciente e num psíquico inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise, sem a qual ela seria incapaz de compreender os processos patológicos, tão freqüentes quanto graves, da vida psíquica e fazê-los entrar no quadro da ciência... A psicanálise se recusa a considerar a consciência como constituindo a essência da vida psíquica, mas nela vê apenas uma qualidade desta, podendo coexistir com outras qualidades e até mesmo faltar. " (Freud,Cinco ensaios sobre a Psicanálise)
Freud não cessou de reformular a teoria psicanalítica, abandonando alguns conceitos, criando outros, abandonando algumas técnicas terapêuticas e criando outras. Para ele a vida psíquica é constituída por três instâncias, duas delas inconscientes e apenas uma consciente: o id, o superego e o ego (ou o isso, o super-eu e o eu). Os dois primeiros são inconscientes; o terceiro, consciente.O id é formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes, ou seja, pelo que Freud designa como pulsões. Estas são regidas pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata. O id é a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer. É a libido.O superego, também inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id.O ego ou o eu é a consciência, pequena parte da vida psíquica, submetida aos desejos do id e à repressão do superego. Obedece ao princípio da realidade...
Freud não cessou de reformular a teoria psicanalítica, abandonando alguns conceitos, criando outros, abandonando algumas técnicas terapêuticas e criando outras. Para ele a vida psíquica é constituída por três instâncias, duas delas inconscientes e apenas uma consciente: o id, o superego e o ego (ou o isso, o super-eu e o eu). Os dois primeiros são inconscientes; o terceiro, consciente.O id é formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes, ou seja, pelo que Freud designa como pulsões. Estas são regidas pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata. O id é a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer. É a libido.O superego, também inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id.O ego ou o eu é a consciência, pequena parte da vida psíquica, submetida aos desejos do id e à repressão do superego. Obedece ao princípio da realidade...
sábado, 20 de setembro de 2008
Bem Vindos e Fim de Etapa
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é".
(Paulo Coelho)
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é".
(Paulo Coelho)
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